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A ARTE DE ENVELHECER

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Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia. Sendo assim, Senhor, livrai-me da tolice de achar que devo dizer algo em toda e qualquer ocasião e do desejo enorme que tenho de querer por em ordem a vida dos outros. Ensina-me a pensar nos outros e ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles; mesmo considerando com modéstia a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos e que só se consegue isso quando não há intromissão na vida deles. Não me permita falar mal de alguém e ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças. Elas estão aumentando e com o passar dos anos a vontade de descrevê-las vai crescendo... Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias, seria pedir muito; mas ensina-me Senhor, a suportar ouvi-las com paciência. Ensina-me a maravilhosa sabedoria de entender que posso estar errado em algumas ocasiões. J...

TODO MUNDO ESCONDE UM SEGREDO

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Há quem prefira esconder alguma característica física, como a calvície Foto: Gustavo Arrais Todos temos, em alguma medida, um segredo muito bem guardado. Vale a pena revelá-lo ou é melhor mantê-lo para si? Todo mundo tem algum tipo de segredo. Uma mania, uma fantasia, o desejo de vingança, um romance proibido, o passado nebuloso; são tantas as variantes que nem cabe listá-las aqui. Alguns contados, outros não. Tudo depende de o que eles nos causam e de como convivemos com eles. É normal guardarmos para nós o que não queremos dividir com amigos, parentes, namorado, marido, filhos. "Não se compartilha tudo nas relações", afirma o psiquiatra Eduardo Ferreira-Santos, de São Paulo. Porque em uma relação a dois existe o Eu, o Tu e o Nós, e as pessoas têm de ter isso muito bem organizado intimamente e entender que o Eu é fundamental para a vida de cada um, já que nele estão nossos genuínos pensamentos, sentimentos, desejos, sonhos, manias, fantasias, devaneios e, claro, segredos. ...

DEUS SEGUNDO SPINOZA

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  Texto escrito no Século XVII Albert Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu : “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”. DEUS SEGUNDO SPINOZA “Pára de ficar rezando e batendo o peito ! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar da tua vida miserável. Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim,...

A ÁRVORE DOS MEUS AMIGOS

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Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro. A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e o amigo mãe. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem. Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz... Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábio...

NÃO CANSE QUEM TE QUER BEM

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Uns mais, outros menos, todos passam dos limites na arte de encher os tubos Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: Não canse quem te quer bem. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado. Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos causos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica. Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma ...

O FAROL

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Em meio ao mar, surge a construção de pedras, solene. É um farol, destinado a orientar o rumo dos viajores, nas noites escuras. Quem quer que viaje em alto mar se sente seguro quando, em meio à escuridão, vê surgir o farol. Ele está lá para servir, para advertir, para salvar. A sua luz se projeta a distâncias enormes e, espancando a escuridão,  permite que os que navegam possam perceber a proximidade dos recifes, os perigos imersos na noite. O mar investe contra ele, noite e dia. Lança sobre ele as suas ondas, com furor. Vagas enormes lambem as pedras que se erguem, majestosas. No fluxo e refluxo das ondas, o farol continua a iluminar, imperturbável. Seu objetivo é servir. Noite após noite, ele estende a sua luz. Não se incomoda com os continuados e perigosos golpes que o mar lhe desfere. Se, em algumas noites, ninguém se aproxima, desejando a sua orientação, também não se perturba. Solitário, ele lança sua luminosidade, sem se preocupar com o isolamento. Ele continua a postos...

AMORES IMPERFEITOS

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Quantos dos seus amigos descrevem o parceiro (ou parceira) de uma forma estranhamente dúbia? A pessoa é o amor da vida dele e, ao mesmo, o ser que mais o incomoda. É uma reclamação tão corriqueira que começo a achar que estranha é a minoria que parece satisfeita com o que tem em casa. Tolerar os defeitos do companheiro e entender que, ao firmar uma parceria, compramos um pacote completo (com tudo o que há de agradável e desagradável) parece, cada vez mais, uma esquisita característica de uma subespécie em extinção. O grupo majoritário parece ser o dos apaixonados intolerantes. Há quem se dedique a tentar entendê-los. Li nesta semana uma reportagem interessante sobre isso. Foi publicada na revista Scientific American Mind . É baseada no livro Annoying: The Science of What Bugs Us (algo como Irritante: a ciência do que nos incomoda ), dos jornalistas Joe Palca e Flora Lichtman. Uma das pesquisadoras citadas é a socióloga Diane Felmlee, da Universidade da Califórnia. Ela conta a h...