sábado, 22 de abril de 2017

13 Reasons Why


nova série do NetFlix 13 Reasons Why, conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que, após se suicidar, envia uma caixa cheia de fitas gravadas para seus colegas de escola. Nelas, a jovem narra os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida.

O professor Luís Fernando Tófoli elaborou 13 alertas para pais, educadores e profissionais da saúde:

1. A alardeada série da Netflix, “13 Reasons Why”, baseada em um livro homônimo de Jay Asher (publicado no Brasil como “Os 13 Porquês”), aborda uma série de questões sérias: bullying no ensino médio, machismo, LGBTfobia, abuso sexual e, de uma forma geral, a difícil missão de adolescer. A série, porém, é focada em uma questão central, pivô de toda a história: o suicídio de uma jovem de 17 anos, Hanna Baker, que faz 13 gravações em fitas cassetes, apontando o dedo as pessoas que a desapontaram em seu calvário na High School de uma pequena cidade americana.

2. Eu me vi na obrigação de assistir a todo o seriado para poder trazer algumas informações para pais e profissionais de saúde e educação. Não vou me estender na qualidade artística, até porque não é minha função aqui, eu penso. No entanto, afianço que apesar da tensão que prende a assistência até a resolução do mistério, os episódios são longos e cansativos demais. A sensação final é de ser chantageado a aguentar a narrativa arrastada só para poder saber por qual razão o protagonista e bom-moço Clay Jensen foi incluído nas fitas de Hannah.
3. A razão principal pela qual eu escrevo estes parágrafos é para focar na questão crucial de uma peça de ficção construída sobre um suicídio adolescente. O suicídio está entre as principais causas de morte na adolescência, competindo com acidentes causados por veículos e, no caso de países como o Brasil, violência armada. Como um agente de formação no campo da Psiquiatria e da Saúde Mental, me vejo na obrigação de fazer alguns comentários – e, porque não, alguns alertas – sobre esta série.

4. Há sinais preocupantes de que as taxas de suicídios de jovens estão crescendo no mundo e no Brasil. O país, aliás, está na contramão das estatísticas no mundo: também os índices gerais estão subindo – e já o estavam antes da crise econômica – ao invés de cair. Há várias hipóteses sobre o que pode estar levando isso a acontecer, mas acho que o mais importante é frisar que nunca tivemos uma campanha nacional responsável de prevenção do suicídio – apesar do reconhecidamente importante papel do voluntariado do CVV-Centro de Valorização da Vida – e de haver documentação sobre formas de se fazer essa política pública de maneira eficiente.

5. Meu ponto principal neste texto não é estragar a série ou dar spoiler, e sim de que pais, educadores e adolescentes estejam cientes de que o programa tem o potencial de causar danos a pessoas que estão emocionalmente fragilizadas e que poderão, sim, ser influenciadas negativamente. Não é absurdo inclusive considerar que, para algumas pessoas, a série possa induzir ao suicídio. Portanto, pessoas em situações de risco deveriam ser desencorajadas a assistir a série. Não estou sozinho nisso, já há pelo menos um crítico no Brasil, o 
Pablo Villaça, que explicitamente está recomendando que não se assista ao seriado (https://goo.gl/Z2Op17 ).

6. O principal erro da série é, de longe, mostrar o suicídio de Hannah. A cena, que acontece no episódio final, é absolutamente desnecessária na narrativa e claramente contrária ao que apregoam os manuais que discutem prevenção de suicídio e mídia. Chega a ser absurdo que os autores da série ignorem completamente o que indicam explicitamente as recomendações da Sociedade Americana para Prevenção do Suicídio, que foram publicadas após a morte do ator Robin Williams (https://goo.gl/vAQkg6 ) e cheguem à cara de pau de tocar (não neste episódio) a música “Hey, Hey”, de Neil Young, que foi citada na carta suicida do músico Kurt Cobain (https://goo.gl/droI3I ).

7. É verdade que as recomendações são em geral destinadas à imprensa, mas chega a ser absurdo que os realizadores de uma produção sobre o tema não tenham se informado sobre os impactos do que é conhecido como ‘efeito Werther’ – cujo nome vem de uma obra de arte e não de uma ação de imprensa. O efeito é baseado no suposto impacto de Os Sofrimentos do Jovem Werther, livro do século XVIII que alçou Goethe à fama (https://goo.gl/2h4N8U ).

8. Embora o aumento de suicídios na Alemanha atribuídos ao livro jamais possa ser objetivamente medido, há já um consenso entre suicidologistas de que o fenômeno sofre contágio pela mídia e de que há maneiras pelas quais ele não deva ser retratado. Uma delas, e na qual a série fracassa desgraçadamente, é em não romantizar ou embelezar um suicídio. Evitar a divulgação de cartas suicidas é outro ponto – e é desnecessário dizer que a série toda é uma enorme carta suicida, que embora ficcional, é ouvida pela voz da protagonista, a narradora póstuma da história.

9. Outro problema sério da história, especialmente para os sobreviventes (esse é o termo utilizado para os parentes e entes queridos de quem se suicida), é a ideia da culpabilização do suicídio. Grande parte da tensão da série gira em torno de quem é a “culpa” pelo suicídio de Hannah: ela, seus amigos, a escola (que é processada pelos pais da menina), a sociedade. Os especialistas entendem que a busca por culpados é dolorosa e improdutiva. O suicídio é, na sua imensa maioria das vezes, um ato complexo, desesperado e ambíguo, e achar que ele possa ter responsabilidade atribuível é equivaler sua narrativa à de um crime. Embora isso seja compreensível em uma peça de ficção, isso é muito deletério na discussão do tema no mundo real, onde ele de fato os suicídios acontecem.

10. Dois fatos chamam a atenção ainda, como erros essenciais da produção. Um é não tocar a questão do adoecimento mental, uma vez que a maioria das pessoas que se suicidam apresentam transtornos mentais. O suicídio de Hannah é discutido – como sói frequentemente aos americanos, um povo obcecado pela pretensa liberdade de escolha – como uma “opção”, esquecendo que na grande maioria das vezes a pessoa está aprisionada por um cenário falseado de opções causado pelo seu estado mental. O outro fato é a impressão passada pela narrativa – em especial no último episódio – de que buscar por ajuda é inefetivo, quando isso pode ser a diferença, literalmente, entre a vida e a morte.

11. Ainda sobre pedir ajuda, a divulgação da série pretende vender a ideia de conscientização – contando, no Brasil, inclusive com o apoio do CVV. Durante todos os 13 episódios que assisti no Netflix, no entanto, não há qualquer sinal, indicação ou legenda que aponte a hotline do CVV no Brasil (141) ou o seu site (http://www.cvv.org.br) para pessoas que necessitem de apoio e estejam assistindo a história. Após o fim da trama há um extra, meio documentário, meio making of que fala sobre prevenção de suicídio, mas seria necessário, no mínimo, divulgar meios de socorro no início e no fim de cada episódio.

12. Nunca é demais lembrar que indagar uma pessoa sobre seu risco de suicídio não aumenta a chance dele acontecer e pode ser a atitude salvadora em diversos casos. Isso é particularmente importante para profissionais de saúde e de educação, que têm muito medo de fazer essa pergunta. Na maioria das vezes, para um potencial suicida, essa pode ser a oportunidade de compartilhar seu desespero e abrir a chance para uma ajuda efetiva.

13. Concluindo, a premissa de “13 Reasons Why” é excelente: discutir a crueldade cotidiana dos jovens (que me parece ser a mesma crueldade dos humanos, embora em uma fase particularmente frágil da vida) e como ela pode nos afetar de forma devastadora, em alguns casos. No entanto, infelizmente, por negligência ou por pura arrogância, a série acaba fazendo provavelmente um desserviço maior do que sua beneficência. A oportunidade perdida de se discutir suicídio de uma forma cuidadosa se perdeu em meio ao hype, infelizmente.

Parágrafo adicional motivado por alguns comentários (considerem como a 14ª gravação, rs): 14. Gostaria de frisar que não defendo de maneira alguma a censura ou a proibição da série, e muito menos que se evite o debate das questões seríssimas do bullying, da violência de gênero e do estupro. A questão é de, sem querer ofender quem amou a série, refletirmos juntos se alguns cuidados poderiam ser tomados para evitar o prejuízo a pessoas fragilizadas. Elas são a minoria da população, mas o impacto já foi medido e mais de um estudo sobre o efeito Werther. A pergunta aqui é: será que o meu entretenimento vale a vida de alguém? Será que ao recusar ao olhar os vacilos da produção da série eu não estarei contribuindo de alguma forma para o suicídio de alguma Hannah da vida real?


Considerando a lista do professor, acrescento ainda que embora a ênfase seja o suicídio, há ainda a depressão, uso de drogas, a tecnologia – o cyberbulling ou seja, tudo junto e misturado.
O cyberbullying é mais fácil para os agressores, porque podem fazê-lo de forma anônima nas diversas redes sociais, através de e-mails ou de torpedos com conteúdos ofensivos e caluniosos.

Com caráter epidêmico, o suicídio alcança índices surpreendentes na estatística dos óbitos que ultrapassam o número daqueles vitimados pela AIDS.
Em alguns casos, a comunicação virtual tem estimulado pessoas portadoras de problemas psicológicos e psiquiátricos a fugirem pela porta abissal do autocídio, como se isso solucionasse a dificuldade momentânea que as perturba.

Ao observar-se, porém, a indiferença de muitos pais em relação à prole, a ausência de educação condigna e os exemplos de edificação humana, defronta-se, inevitavelmente, a deplorável situação em que estertora a sociedade.
A ideia da família como base da sociedade não se sustenta apenas no senso comum, respeito mutuo entre pais e filhos fundamentam o alicerce de nossas vidas.
Falar sobre o que se passa é de fundamental importância para a saúde psicológica, e quando o adolescente fizer algo errado deve compreender que o certo é certo mesmo que ninguém esteja fazendo, o errado é errado mesmo que todo mundo esteja fazendo, orientar sempre que a verdade é o caminho – que a verdade não tem castigo. E nessa metáfora me refiro que os pais e/ou responsáveis devem ter tais habilidades para orientar seu jovem que nessa fase crê que seus traumas podem perdurar infinitamente. Mas, se houver amor ele sempre vencerá.

O suicídio é um filho espúrio do materialismo, por demonstrar que o sentido da vida é o gozo e que, após, tudo retorna ao caos do princípio - o uso exagerado de drogas alucinógenas, a liberdade sexual exaustiva e as desarrazoadas buscas do poder transitório conduzem à contínua insatisfação e angústia, sendo fator preponderante para a covarde conduta.
É muito lamentável esse trágico fenômeno humano, tendo-se em vista a grandeza da vida em si mesma, as oportunidades excelentes de desenvolvimento do amor e da criação de um mundo cada vez melhor.
Todo exemplo deve ser feito para a preservação do significado existencial, trabalhando-se contra a ilusão que domina a sociedade e trabalhando-se pelo fortalecimento dos laços de família, pela solidariedade e pela vivência do amor, que são antídotos eficazes ao cruel inimigo da vida – o suicídio!

quarta-feira, 1 de março de 2017

DE ONDE VIEMOS...

Eu venho de lá, onde o bem é maior. 
De onde a maldade seca, não brota. 
De onde é sol, mesmo em dia de chuva e a chuva chega como benção.
Lá sempre tem uma asa, um abrigo para proteger do vento e das tempestades.
Eu venho de um lugar que tem cheiro de mato, água de rio logo ali e passarinho em todas as estações.
Eu venho de um lugar em que se divide o pão, se divide a dor e se multiplica o amor.
Eu venho de um lugar onde quem parte fica para sempre, porque só deixou boas lembranças.
Eu venho de um lugar onde criança é anjo, jovem é esperança e os mais velhos são confiança e sabedoria.
Eu venho de um lugar onde irmão é laço de amor e amigo é sempre abraço. Onde o lar acolhe para sempre, como o coração de mãe.
Eu venho de um lugar que é luz mesmo em noite escura. Que é paz, fé e carinho.
Eu venho de lá e não estou sozinho, “sou catador de lindezas”, sobrevivo de encantamento, me alimento do que é bom, do bem.
Procuro bonitezas e bem querer, sobrevivo do que tem clareza e só busco o que aprendi a gostar.
Não esqueço de onde venho e vou sempre querer voltar.
Meu lugar se sustenta do bem que encontro pelo caminho, junto a maços de alfazema e alecrim.
Assim, sou como passarinho carregando a bagagem de bondade, catando gravetos de cheiro, para esquentar e sustentar o ninho...
Talvez a vida tenha feito você acreditar que este lugar não existe. Te digo: tem sim, é fácil encontrar.
Silencie, respire, desarme-se, perceba, é pertinho.
Este lugar que pulsa amor é dentro da gente, é essência, está em cada um de nós.

Basta a gente buscar.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

RETRATO


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
                                                                            Cecília Meireles

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A GERAÇAO Y NO AMBIENTE DE TRABALHO


A Geração Y, também chamada geração do milênio ou geração da internet, é um conceito em Sociologia que se refere, segundo alguns autores, como Don Tapscott, à corte dos nascidos após 1980 e, segundo outros, de meados da década de 1970 até meados da década de 1990, sendo sucedida pela geração Z.



No vídeo você assistirá um excerto da entrevista do Programa Inside Quest em que ele aborda quatro tópicos dessa geração:
  •  A formação dos pais;
  • A tecnologia;
  • A impaciência;
  • O ambiente
Ele aborda o modus operandi dessa geração que tem uma autoestima muito menor que as gerações anteriores – é a geração que vive no mundo dos perfis de Facebook e Instagram, ou seja, são bons em colocar filtro nas coisas e mostrar a vida “maravilhosa” em que todos parecem fortes, felizes e se divertem muito, quanto na verdade há muita depressão e incertezas em muitas dessas pessoas.
Culpar a formação dos pais que ofereceram tudo já é passado, e com o uso das mídias sociais as crianças crescem sem aprender a cultivar relacionamentos verdadeiros.
Essas crianças – agora adultos desejam ter tudo o que era oferecido pelos pais/família, mas infelizmente não há um APP para isso.

Os gestores que também são da geração Y oferecem uma liderança benigna e são tão impacientes quanto os seus liderados, e pecam por não construir um relacionamento que gere um processo de confiança entre eles – um processo lento que precisa de tempo para ser solidificado.

Há líderes e aqueles que lideram. Os líderes têm uma posição de poder ou autoridade. Mas aqueles que lideram nos inspiram. Sejam eles indivíduos ou organizações, nós seguimos aqueles que lideram, não porque temos de seguir, mas porque queremos seguir. 

Não é por eles, mas por nós mesmos. E esses que começam com ‘por que’ possuem a habilidade de inspirar aqueles a sua volta ou encontrar aqueles que os inspiram.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

CAMINHA TRÊS LUAS COM MEUS SAPATOS

Os Sioux têm um provérbio muito interessante: “Antes de julgar uma pessoa, caminha três luas com seus sapatos”. Se referem ao fato de que julgar é muito fácil, entender o outro é um pouco mais difícil. Ser empático é muitíssimo mais complicado. E o julgamento só será justo se vivermos experiências iguais.
Entretanto, com frequência pretendemos que os outros nos entendam, que compreendam nossas decisões e as compartilhem, ou que, ao menos, nos apoiem. Quando não fazem o que queremos, nos sentimos mal, nos sentimos incompreendidos e até rejeitados.
É evidente que isso é difícil de aceitar, todos necessitamos que, em algumas situações, alguém acolha nossas emoções e decisões. É perfeitamente compreensível. Contudo, sujeitar nossa felicidade à aceitação dos demais ou tomar decisões com base no medo de que os outros não vão nos entender é um grande erro. Um grande e inominável erro.
Porque os que os outros pensam sobre você na realidade diz mais sobre eles do que sobre a sua pessoa. O que pensam reflete, com certeza, o que são eles, não quem é você.
Quando criticamos alguém sem usar a empatia de nos colocarmos em seu lugar e sem, ao menos, tentar compreender o ponto de vista do outro, na realidade expomos nossa forma de ser. Quando alguém diz ao mundo que você é uma má pessoa esta atitude revela que ela é insegura, tem um pensamento duro e cheio de estereótipos.

Quem critica o que não é, não compreendeu ou não quer aceitar

O mais certo é que por trás de uma crítica destrutiva quase sempre se esconde o desconhecimento ou a negação de si mesmo. Na verdade, muitas pessoas lhe criticam porque não compreendem suas decisões, não caminham com os seus sapatos, não conhecem a sua história e não entendem a verdadeira razão de ter escolhido o caminho que escolheu. Muitas pessoas ainda vão lhe criticar por desconhecimento mais profundo sobre o seu jeito e, sobretudo, por serem arrogantes e pensarem que são os donos absolutos da verdade.´
Fonte: http://www.revistapazes.com/o-que-os-outros-pensam-sobre-voce-reflete-quem-eles-sao-nao-quem-voce-e/ 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

AMIZADE ENTRE PRIMOS


Durante minha infância e adolescência, quando chegava a época do final de ano, meus irmãos e eu ficávamos eufóricos à espera dos primos. Foram várias as vezes em que nos sentamos, durante horas, na garagem de casa contando os carros que passavam na rua. Nossa contagem só terminava quando o carro do nosso tio estacionava.
Alguns dos primos, víamos com certa frequência. Porém outros moravam longe. E, naquele tempo sem e-mail ou aplicativos, a comunicação entre nós era feita pelas cartas que escrevíamos e por telefonemas nos dias de nossos aniversários. Assim, quando se aproximavam as férias escolares (ou seja, quando todos os primos estariam juntos), uma mistura de ansiedade, alegria e saudade começava a despertar na gente.
Tenho família grande. Meus primos estão espalhados pelo país, de norte a sul. Meu pai tem três irmãos e minha mãe, nove. No total, são 33 primos (fora os filhos dos primos!). Dia desses foi aniversário da minha prima que mora a mais de 2.500 km de distância de mim. Ela fez uma festa, mas não pude ir. Então, gravei-lhe uma mensagem de parabéns. Sua resposta também veio em uma mensagem de voz: “queria muito que você e todas as minhas primas estivessem aqui, mas entendo que é muito longe; mas acho que a gente tem que se programar um pouco mais, e com seriedade, para se encontrar… A gente se vê muito pouco e eu sinto muita falta de vocês”.
Fiquei pensando nisso. Então me lembrei da expectativa boa que era a espera da chegada das minhas primas e dos meus primos. Lembrei-me das férias na casa de nossos avós. A vovó ficava louca da vida quando nos trancávamos no quarto para brincar de “gato mia”, e o vovô dava uns trocados pra gente comprar balas no bar da esquina.
Outras lembranças chegaram junto: as partidas de buraco e os campeonatos de truco, as pescarias no rancho do tio, as voltas de bicicleta pelo bairro, os passeios na pracinha para comer churros, as viagens à praia, os jogos de béti no meio da rua, as brigas e as pazes, os colchões espalhados pelo chão da sala, as conversas de madrugada, as rodas de violão e as músicas que cantávamos.
Minha prima tem razão, precisamos nos encontrar mais vezes. Por mais que tenhamos contato quase que diário nos grupos de família do WhatsApp, nada se compara aos abraços e às risadas, aos churrascos e às festas que fazemos quando estamos juntos.
Primo-irmão. O próprio nome já diz: primo é quase que um irmão da gente. E eles são os primeiros amigos que nos foram apresentados. Foi com eles que aprendemos a dirigir um automóvel. Foi com eles (junto com algum tio jovem e maluco) que nos fantasiamos para ir a alguma festa ou show em estádio de futebol. Foi com eles que pulamos vários carnavais e tomamos o primeiro porre de cerveja.
Mesmo que hoje esses primos se reúnam com uma frequência bem menor (cada um tem sua rotina, seus compromissos e sua família), quando eles se encontram é como se o tempo não tivesse passado. É como se as férias escolares tivessem sido ontem! Pois a amizade entre primos carrega uma história que o tempo e a distância não conseguem apagar. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

QUAL O SENTIDO DA VIDA?



Um dia eu me fiz uma pergunta: Qual o sentido da vida?

Digo; o verdadeiro sentido, complicado eu sei. E supondo que você tenha se perguntado isso, comecei a observar as coisas ao meu redor; natureza, animais e principalmente as pessoas. Cada um andando por aí indo para o trabalho, para escola, falando ao celular, ouvindo música, brincando com o cachorro, namorando ou em momento de lazer fazendo algum exercício, inventando coisas e pensei:

O que move essa gente?

Por que fazem todas essas coisas?

E depois de muitas observações, reflexões e muitas conclusões apenas uma me agradou – a morte, sim a morte. O sentido da vida é uma palavra forte, impactante eu sei, mas define bem muitas de nossas ações.

Por qual outro motivo faríamos tudo o que fazemos nessa vida?

É o fato de saber que um dia morreremos que nos faz dar valor ao que nos cerca e lutar. Por isso, e por saber que um dia morreremos que amamos, perdoamos, sorrimos, choramos, sonhamos. É por saber que não temos todo o tempo do mundo, e por querer aproveitar esse precioso tempo que corremos atrás dos nossos objetivos, e nos entristecemos tanto quando um erro nos coloca mais distantes de um sonho ou de alguém. 

Há coisas que realmente não voltam nosso tempo é limitado e curto, embora nunca seja tarde para se começar algo ou recomeçar. Então ame, perdoe, sorria e aproveite. Esteja perto de quem você ama, faça algo de bom para as pessoas porque quando tudo isso acabar e você se for... o que ficará será apenas o que você foi para as pessoas – a importância que teve na vida de cada uma delas e para o mundo, suas ações, e mesmo que não esteja em presença continuará vivo na memoria de cada um.

Pense nisso!


13 Reasons Why

A  nova série do NetFlix   13 Reasons Why,  conta a história de Hannah Baker, uma adolescente que, após se suicidar, envia uma caixa ch...